Fotos, Vídeos, Avaliações, Eventos, etc
MAGNUM é uma Revista dedicada ao universo das Armas de Fogo. Aborda Colecionismo, Tiro Esportivo, Munições, Recarga, Balística e Legislação pertinente ao assunto. Além de abordar Arqueiria, Caça, Cutelaria, promover entrevistas com pessoas ligadas a cada um desses setores e cobrir lançamentos de novos produtos - no Brasil e no mundo -, buscando estimular seus Leitores ao trânsito saudável, consciente e responsável através desses temas.
Carta Aberta ao Ministro do Exército
Caro General Leônidas Pires Gonçalves:
“Ano novo” vida nova!”. Esta curta (e verdadeira) frase poderia ser a síntese deste novo Editorial, mas ela é simples e vaga demais para representar os anseios de toda a comunidade honesta envolvida com Armas neste nosso grande Brasil.
Como acontece a cada dois meses - e nossos Leitores já estão praticamente acostumados a tal fato - lançamos Edições Especiais nas quais as armas testadas / apresentadas são agrupadas por modelos, tipos ou até mesmo por marcas, tentando desse modo trazer a quem nos acompanha uma visão semissegmentada de acordo com gostos pessoais de Atiradores / Colecio nadores / Caçadores / Policiais e outras tantas Classes de nobres consumidores aos quais são voltadas nossas publicações.
Desta vez o assunto em questão reveste-se de ineditismo, pois Carabinas são, por primeira vez, agrupadas em um Especial visando aqueles que são apaixonados por tal tipo de Armamento e, portanto, procuramos dar bastante amplitude ao conceito, começando pelo calibre .22 - de longe o mais empregado aqui no Brasil (notadamente pelo preço e pelo prazer quase silencioso que se tem ao atirar com armas no diminuto calibre) e indo até o .44-40, passando até mesmo pelo hoje notório .223 e pelo .38/.357 Magnum.
Difícil, mesmo, foi selecionar os artigos aqui inseridos; e o critério de escolha foi finamente baseado em englobar diversos tipos dessas Armas Longas, tanto estrangeiras como nacionais ou, ainda, nacionalizadas: no primeiro grupo estão a conhecidíssima Ruger Mini-14, as não menos famosas carabinas Winchester, a ainda futurista Calico, a imorredoura .30 M1 e a precisa Brno Modelo 2 E. Para o segundo selecionamos a imortal Rossi Gallery e dois produtos CBC (122.2 Sniper e 7022). Dentre as “nacionalizadas” elencamos a estupenda CBC Nylon 66 e as conhecidíssimas carabinas Puma, da Rossi, encerrando desse modo um dos mais completos panoramas relativos ao Armamento ora enfocado.
Cabe então, ao Leitor, deliciar-se com estas páginas após ler o Editorial - isso se ele já não foi direto ao “pote” e já abriu esta revista justamente nas páginas correspondentes a uma de suas favoritas!
Boa leitura!
A Vergonha e a Incompetência
Por diversas vezes os Editores ou articulistas de Magnum têm insistido num determinado ponto: é preciso uma verdadeira legislação de Caça para o Brasil, a exemplo do que acontece em todos os outros países.
À honrosa exceção do Rio Grande do Sul, que tem temporada regular de Caça, devidamente orientada e acompanhada pelo IBAMA, e onde as coisas andam perfeitas nesse aspecto há muitos anos, os demais Estados insistem em inovar e criar absurdas leis “protegendo” a fauna e o meio ambiente.
Inicialmente, seria o caso de perguntar aos políticos e falsos ambientalistas que neles gravitam: 1) não é o IBAMA um órgão com jurisdição federal e, assim, o que é válido nesse aspecto para um Estado não o seria para os demais? E 2) muito antes de existir esse bom movimento ambientalista, não existiam também os bons caçadores, os quais merecem ser ouvidos? A resposta clara e indubitável seria SIM!
Cultura, tradição e fortalecimento de nossos direitos
Aproveitarei minha visita ao SHOT Show (veja matéria alusiva nesta edição) para tecer algumas considerações sobre Armas de Fogo e outros itens presentes à famosa Mostra:
A edição de 2013 teve lugar no Sands Expo and Convention Center, adjunto aos Palazzo e Venetian Hotel & Casino, em Las Vegas, Nevada – EUA. E é pelo local que começarei: Las Vegas é a cidade que verdadeiramente vive 24 horas por dia. Um mundo à parte, com infraestrutura invejável e um conceito de grandiosidade que leva às várias camisetas à venda como souvenires nas lojas e aeroportos trazerem a frase “The Fabulous Las Vegas”. E é exatamente isso, uma localidade fabulosa, onde pessoas de todas as nacionalidades e interesses se cruzam nas ruas e nos amplos corredores de seus hotéis com uma infinidade de máquinas caça-níqueis, espalhadas pelos seus vários casinos. Enfim, Las Vegas é, em minha opinião, uma grande metrópole que agrada até aqueles que detestam cidades grandes - principalmente os que vêm do interior e foram criados em sítios ou fazendas.
E não poderia haver melhor lugar para hospedar uma Mostra tão grandiosa de armas e acessórios destinados às atividades de Tiro Esportivo, Segurança e Caça, além das demais atividades ao Ar livre.
O impressionante número de visitantes que circula pelo SHOT Show é algo singular, com a multidão se confundindo pelos corredores dos Hotéis adjuntos Venetian e Palazzo e pelo interior de seus casinos para adentrar e sair do Sands Expo, com seus aproximados 209.000 m², e da também fabulosa Mostra de produtos voltados aos públicos civil e militar, contando com 7000 (sete mil!) expositores de armas, munições, coletes, acessórios dos mais variados e vestimentas, incluindo Cutelaria, Arquerismo e veículos off road.
Fazia referência a Olivo Gomes, pai do extinto Severo, o ex-senador que morreu no mesmo acidente que arrancou Ulysses Guimarães da cena política e planetária.
Mario Altenfelder havia sido homem de governo, tendo trabalhado como Secretário da Promoção Social junto a Carvalho Pinto e, salvo engano, também a Paulo Egydio Martins. Ambos Governadores do meu estado. Me contando uma história , e o porquê duma prisão, me fez entrar em contato com aquilo que viria ser pra mim, de certos modos, missão. Senão fardo.
Um tio-avô em roupagem de avô materno, Mario Altenfelder foi o primeiro anti-Vargas que conheci. Meu anti-Vargas favorito. Mudava de olhar quando pronunciava “...Getúlio”, gastando bem uns dois segundos na sílaba tônica (...). E era um convicto. Defensor de justiça, de saúde e do ser humano enfi m. Voluntário, pegou em armas em 1932, combatendo junto aos Constitucionalistas.
Um tempo depois do confl ito - assim me contou -, quando SP já formava no lombo os calos da cangalha que até hoje traz, o velho soube que Olivo Gomes tinha ido pra jaula por posse ilegal de armas militares, caguetado por um maldito eletricista. Chamado à residência dos Gomes pra resolver um perrengue técnico, o sujeito percebeu fuzis depositados no forro da casa, dos de repetição e dos semiautomáticos. E a delação que fez... azou algemas.
O Varguismo achara de proibir armas de fogo de certos cunhos, separando as tais, de maneira estupida e (até hoje) defi nitiva, entre armas “que matam mais” e armas “que matam menos”. Armas de uso privativo e/ou restrito e armas de uso permitido (risos, ou lágrimas aqui ?). E toda a matéria fecal começava ali. Engolia do Varguismo meu velho Mario, não somente o desgosto da capitulação do Exército Constitucionalista, mas também o amargor de amigos seus sofrendo penas injustas, decorrentes de normas ainda mais injustas, criadas pra proteger do povo governo tirano.
Foi pra mim da vida “um toque”. Do velho Mario “um toque”. Uma história do tipo “presta atenção, rapaz”. Moleque duns catorze, isso por volta de 1987, que já lia MAGNUM e não entendia o porquê de não poder aspirar a compra duma Colt .45 numa Bayard da vida, eu começava a entender ali que a questão arma de fogo no BR era falsamente tratada como doença, pra justifi car uma ou algumas séries de problemas políticos graves e provavelmente eternizáveis (...).
Uns dez anos depois, eu tive uma “sogra”. Sim, entre aspas, porque mãe de namorada. Namorada que, graças ao bom Deus, não transformei em esposa. De nome Luiza, essa senhoraça tinha o perfeito e cinematográfi co estereótipo da sogra-problema. Presumida, inconveniente, ciumenta, inda por cima gordalhufa e inarmônica. Até uma penugem, semelhante a barba, havia naquele rosto mal talhado, grave, amarelo e nada saudoso.
Tal senhoraça residia em maior parte do ano num apartamento de luxo em PT, em Lisboa. Numa de suas estadias no BR, numa conversa, ou discussão, a que hoje eu chamaria de pura afronta, ela achou de apontar em mim os defeitos meus e também os projecionais. Não sem dedo em riste; é claro que não. E, a certa altura do evento, como se fosse bravata de criancinha pontuando briga - naquele estilo “...você é bobo e cocô, tou de mal, seu pé tá sujo, seu cachorro é velho...”, ou seja, coisa apelativa e sem patavina a ver com o mote -, a loura cuidou de dizer que o meu gosto por coleção de armas de fogo estava com os dias contados. Mundialmente contados. Elas seriam banidas (as civis, é claro) pela ONU.
Apesar de todo o ridículo, as entrelinhas foram pra mim da vida outro “toque”. Acumulável em mesmo embornal daquele que, anos antes, tinha vindo do Tio Mario. Era coisa de 1996, caminhando pra 97. Esse último, ano em que o esquerdo e esquerdíssimo sociólogo FHC veio com intensifi cação das balelas ONU concernentes ao desarmamento civil. Ali eu contava vinte e poucos anos. Uns vinte e três. Dali pra cá, minha vida é quase completamente tomada pela sombra da maldita, impura, vil e desacertada mochadura civil. Tomada pela ideia de que, muito e muito além da possibilidade de assistir à perda de viabilidade do meu hobby, eu possa assistir ao colapso político mundial, com implantação dum governo mundial, uno. Ou, ao espelho, ONU.
O caso de Olivo Gomes, contado pelo velho Mario, foi recado duma raposa prateada do universo político interno. Falecido em 1993, alguém que sabia, pelos bastidores, como o pito tocava. Alguém que sabia, por exemplo, que o bipartidarismo MDB / ARENA era fake, cenográfi co, nada sincero. Meu velho Mario era dum anti-Varguismo que conhecia a tática desarmamentista tirana e seu escopo fundamental.
Já a profecia da bruxa, a “sogra” bocuda, era recado duma pessoa muito bem... digamos... informada. Pessoa cujo cunhado - dela amigo e próximo, além de cunhado - era alto funcionário, topo-de-linha da Odebrecht, organização que já tava pra lá de envolvida com o governo federal de então, na mais esquerda das acepções do verbo envolver. Além disso, ela própria era pessoa que vivia na Europa, a maior parte do ano, havia tempos, na condição de esposa-acompanhante-conselheira dum insider, vez que o marido-acompanhado-orientado fosse braço direito duma família de banqueiros do BR, diretor designado à missão europeia de ajeitar um certo banco português, ali recém-conquistado, e que naturalmente tivesse acesso a informações do “sistema”. De como o “sistema” é - de verdade - e de verdade funciona. Nunca me restou NENHUMA dúvida disso.
Do contado até aqui, parte das minhas certezas acerca da rádica do desarmamento civil. Certezas nacionais e internacionais, incrementadas por um sem-número de precisas e preciosas informações que, graças à internet, tiveram e tem origem em Olavo de Carvalho, Benedito Barbosa Junior, Luiz Felipe Pondé, Coronel Paes de Lira, no já falecido Luiz Afonso dos Santos... também noutros bons manadeiros de conhecimento acerca das políticas, a verdadeira e a cenográfi ca, bem como acerca do acúmulo inexorável de mentiras que desta última decorre.
Vivendo o amor atávico que tenho pelas armas de fogo, particularmente aquelas partejadas entre 1850 e 1950, vivo também o medo extremo da perda. Porém... porém... porém... é através desse medo que me motivei a estudar política como pude e que, naturalmente, me tornei uma espécie estranha de teórico da conspiração, observador frio e, contraditoriamente, um indignado visceral.