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Edição 14 - Ano 3 - Janeiro/Fevereiro/Março 1989
REGULAR14

Edição 14 - Ano 3 - Janeiro/Fevereiro/Março 1989

jan. de 1989 · 84 páginas

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A edição 14 da Revista Magnum cobre o maior espetáculo de armas leves do mundo: o S.H.O.T. Show — com todos os lançamentos e tendências que vão movimentar o mercado internacional. A pistola Browning Hi-Power é apresentada nas clássicas como arma de batalha que escreveu história em múltiplos conflitos do século XX. A pistola Lahti chegou do frio — e a Magnum apresenta essa arma finlandesa com todo o charme que o modelo merece. O revólver Colt Sheriff, pequeno representante do Velho Oeste, é analisado com cuidado histórico. O fuzil Galil ARM passa pelo banco de testes como um fuzil de assalto genial. E as pistolas japonesas do Império do Sol são testadas, desmistificando o calibre 8mm Nambu. Uma edição que percorre o mundo das armas de forma apaixonante.

Editorial

Instrumentos Femininos?

Como todos sabem, o papel da mulher em importantes decisões na moderna sociedade está felizmente se acentuando. Aqui e acolá, a presença feminina se faz sentir em importantes cargos públicos ou em empresas. Igualmente, ocorre o mesmo em assuntos menos importantes de nosso dia a dia.

Relativamente ao controle de Armas de Fogo, no Brasil e em outros países, também a opinião das mulheres tem pesado bastante. Porém, a comunidade masculina dos apreciadores de armas, e que aqui não se entenda nenhum machismo pela crítica que será construída, sente que os anti-armas de todo o mundo estão manipulando, usando, a opinião feminina nesse assunto.

Sendo verdadeiramente machistas, algumas mentes masculinas claramente anti-armas do mundo todo têm carreado as mulheres para a defesa de seus vis propósitos de marginalizar e mesmo banir as Armas de Fogo da sociedade. A utilização das mulheres para esse, principalmente, antidemocrático papel reverte sua atual condição, duramente conseguida, de não mais serem encaradas como meros objetos sexuais, haja visto que ao se deixarem ser manipuladas para esse fim tornam-se instrumentos de maquiavélicos manejos sociais, habilmente exercitados por séculos de absoluto patriarcado, o qual é, no mínimo, desleal por parte dos homens.

Em todo o mundo, isto está ocorrendo e, assustadoramente, começa a ganhar uma força especial na sociedade brasileira, onde a presença feminina por força de médias culturais é mais facilmente manejável por políticos, religiosos e sonhadores para os quais a marginalização e o banimento de Armas de Fogo é a panaceia para remediar seus erros sociais, sua corrupção e atenuar a real visão de seus projetos de poder e riqueza. Como todos os sensatos sabem, é preciso que esse público obscureça a visão do Povo de modo a ele não enxergar a verdadeira extensão do problema social brasileiro e ao mesmo tempo disfarçar os desonestos sonhos de poder e riqueza que nele se apoiam.

No final do ano passado, ocorreram três fatos isolados nesse panorama, os quais nos incentivaram dar aos leitores de Magnum este alerta. Vamos conhecê-los.

A NORTE-AMERICANA VENCIDA: Desde que seu marido, James Brady, secretário de imprensa da Casa Branca, foi ferido e tornou-se paralítico no atentado ocorrido em 30 de março de 1981 contra o presidente Ronald Reagan, praticado por John Hinckley Jr., Sarah Brady tornou-se uma das mais altas vozes dos EUA a bradar pelo controle de armas naquele país.

Manejada sutilmente por ricos grupos políticos anti-armas, o pessoal do organismo Handgun Control, Inc. (Corporação para o Controle de Armas Curtas) aproveitou-se do choque emocional de Sarah para tentar obter uma lei federal que determinasse fossem as armas de Fogo liberadas para o comprador norte-americano apenas após um período de verificação total de 7 dias após a compra, habitualmente é de 1 a 3 dias. No dia 15 de setembro do ano passado, por 228 contra 182 votos, o congresso de Tio Sam rejeitou a proposta do organismo, apoiada de costa a costa por depoimentos de Sarah Brady e com o gasto de milhões de dólares. Os pró-armas dos EUA tiveram o apoio de republicanos e democratas, de 150 oficiais de polícia de 27 Estados e apenas das publicações especializadas, cujo gasto, em espaço publicitário, não atingiu sequer a casa dos US$ 300.000,00. Sarah Brady certamente esqueceu que o criminoso Hinckley Jr. declarou-se a favor de uma campanha de desarmamento, como todo bandido o é, ou seria, em qualquer instância.

A TENDENCIOSA APRESENTADORA DE TV: Na última semana do ano passado, a diretoria de Magnum foi convidada para participar de um debate que ocorreria no programa de TV "Canal Livre", levado ao ar pela emissora paulista TV Bandeirantes, Canal 13, sob a coordenação da apresentadora Silvia Popovich, na tarde do dia 29 de dezembro. À parte as estapafúrdias presenças de, atenção, um juiz de futebol, um padre, uma inocente, assustada e quase muda dona de casa e um radical jornalista, ainda participaram do debate o Cel. Erasmo Dias, ex-secretário de segurança de São Paulo, Armando A. Ayres Netto, diretor executivo da Corporação Magnum e editor de campo, Enio Mainardi, conhecido publicitário e um advogado criminalista. O debate que estava previsto para ser sobre o porte de armas acabou virando um incrível exercício de demagogia irracional e barata contra armas por parte dos quatro primeiros mencionados e uma demonstração de lucidez e entendimento por parte, principalmente, do coronel e do publicitário. Sendo bastante tendenciosa na condução do debate televisado, o que nos fez entrever o porquê do baixo índice de audiência desse programa e sua deslocação para o horário vespertino, a apresentadora ainda o finalizou com o seguinte comentário: agora que nós já vimos o que a sociedade pensa do porte de armas, peço-lhes, no dia 31 não saiam de casa com armas. Realmente imparcial.

DESRESPEITOSA POSIÇÃO CONSULAR: Um ou dois dias antes desse debate na TV, Laércio Gazinhato, diretor técnico da Corporação Magnum e editor de textos da Revista, e Álvaro Maya, editor de fotografia, devidamente munidos de passaporte e com carta de nossa empresa, com firma reconhecida, solicitando a emissão de visto de saída do Consulado dos EUA em São Paulo para a cobertura jornalística do S.H.O.T. Show em Dallas, Texas, foram entrevistados por uma senhora para obtenção daquela autorização. Após as perguntas iniciais, a senhora perguntou o que era o S.H.O.T. Show, lhe foi esclarecido. A seguir, perguntou como poderíamos provar que éramos da empresa, haja visto que não havíamos trazido o contrato social e que, atenção, a carta que apresentávamos poderia ser falsa. Foi-lhe informado que estava com firma devidamente reconhecida. Nesse momento, Álvaro Maya, que havia trazido algumas revistas Magnum, mostrou-lhe os respectivos nomes no expediente da publicação, ao que a senhora declarou não gostar de armas e a não compactuar de forma alguma com sua divulgação, rotulando-as como instrumentos de todo o mal do mundo. Laércio Gazinhato disse-lhe, então, que respeitava sua posição, mas que também haviam outras coisas que eram igualmente ruins e, a seu ver, desprovidas de lógica, como usinas nucleares num país pobre, mortalidade infantil por falta de assistência médica, trânsito desordenado, a existência dos famosos "marajás", etc. Citou ainda o fato de que Armas de fogo servem também para proteger, como era o caso do "marine" e do pessoal de segurança do consulado que protegia seu bem-estar no trabalho, naquele organismo. Demonstrando radicalismo e claro senso antidemocrático, a senhora disse-lhe que "...não, eu entretanto não respeito seu ponto de vista". Quase inacreditável, não é?

Nota-se, assim, que até mulheres que poderiam ser consideradas, pelo menos culturalmente, acima da média estão sendo manipuladas, tornando-se instrumentos femininos de uma estúpida e irracional cruzada contra as Armas de Fogo. As mulheres, o que devem pensar disto? Só uma coisa: que os anti-armas têm a incrível pretensão de transformá-las em não atraentes instrumentos femininos na obtenção de vetos às Armas de Fogo. Talvez disfarçando sua fraqueza perante a sobrevivência nua e crua, sua impotência e falta de instinto humano numa situação de real perigo, sua falta de conhecimento sobre o aspecto histórico, técnico e esportivo das Armas, ainda revelando-lhes o caráter de antidemocráticos e tendenciosos.

Índice

Índice da Edição
16
S.H.O.T. ShowEspecial
Por Os EditoresO maior espetáculo de armas leves
22
LahtiApresentação
Por Aurélio M.G. de AbreuA pistola que veio do frio!
27
O Arco "Rambo"Especial
Por Sinaia (SIG) O. SimõesRobustez, beleza e agressividade
30
Armas e Munições AlternativasEspecial
Por Sérgio Coló MooreTreinamento econômico!
36
Colt "Sheriff"Apresentação
Por Heitor F. de Carvalho GomesO pequeno revólver do Oeste
42
Pistolas do Império do SolTeste
Por Aurélio M.G. de Abreu e Laércio GazinhatoDesmistificando o calibre 8mm Nambu...
52
Pistola Browning Hi-PowerColeção
Por Laércio GazinhatoArma de batalhas
62
Galil ARMTeste
Por Armando A. Ayres NettoUm fuzil de assalto genial!
70
O Novo .357 Magnum da RossiEspecial
Por Os EditoresModerno conceito de robustez

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