Editorial
A Fase Histórica
Este manifesto é especialmente destinado àqueles que criticaram ou ainda criticam a linha editorial de MAGNUM.
Ao completarmos nosso 5º ano de existência, tendo esta publicação conseguido sobreviver a diversos “planos econômicos”, fazem-se necessários alguns esclarecimentos, politicamente somente agora possíveis de serem divulgados, os quais irão mostrar como é sempre mais fácil criticar o que já foi feito.
A revista MAGNUM, hoje entendida internacionalmente como a maior da América Latina e uma das melhores do mundo no segmento das armas e munições, nasceu e se materializa a cada edição através de seus diversos editores, escolhidos e depurados, que devem ter sempre duas coisas em comum: senso de marketing e grande conhecimento da matéria.
O difícil começo da revista, ao contrário de outras publicações da metade dos anos 80, as quais infelizmente não vingaram, contou entretanto com dois fatores entendidos como básicos para a continuidade de qualquer projeto empresarial, os quais mostraram-se posteriormente como tendo sido acertados. O primeiro deles foi a crença total no produto, mesmo nos momentos mais aflitivos, quer do mercado, quer da formação da equipe. O segundo foi a necessidade da formação de um mercado anunciante, virgem e marginalizado por publicações indiretamente ligadas ao assunto.
O desanimador quadro comercial das primeiras edições foi lentamente sendo substituído por uma crescente confiança dos anunciantes no produto MAGNUM. Assim, houve um crescimento conjunto da publicação e daqueles que lentamente iam despertando para suas potencialidades como veículo de informação específica.
A equipe técnica, criteriosamente escolhida, lentamente aumentava à medida em que o mercado mais absorvia MAGNUM. A ideia de que dentro em breve conseguiríamos “andar empresarialmente” com os frutos comerciais e de imagem do veículo permitiu investimentos cada vez maiores em equipamentos, métodos de trabalho e profissionais de gabarito, muitos dos quais nunca antes haviam sequer pisado numa editora.
No outro lado da linha, o sagrado consumidor de nosso produto: o leitor. Este, em sua grande maioria, tinha todos os vícios de um povo que nunca antes havia se beneficiado de uma publicação especializada em armas e munições. Acreditava em qualquer coisa que pessoas, às vezes nem tão esclarecidas, lhes apregoavam. Num esforço pessoal, alguns, em busca de um pouco mais de informações, contentavam-se em que alguém lhes traduzisse revistas estrangeiras do segmento. Havia ainda aqueles que necessitavam ser formados, pois eram jovens que nem a isso tinham tido acesso, e haviam também os onipresentes críticos das coisas que alguém faz, mas que eles mesmos não tinham tido a coragem de executar.
Ao definirmos a linha editorial de MAGNUM, havíamos decidido auscultar de forma sintomática todos estes diferentes públicos e, logo após a quinta edição, chegamos à conclusão de que o melhor rumo a tomar era dividir a vida da publicação em fases, e isto foi feito.
O primeiro período, analisadas as carências da grande maioria dos leitores e a disponibilidade do mercado em somente contribuir para um veículo de linha séria e que já havia provado seu potencial, foi escolhido para ser a fase histórica da publicação.
O termo fase histórica não se refere apenas à publicação de reportagens sobre a história das mais famosas armas e, posteriormente, de seu comportamento no tiro, mas também ao período em que teríamos que formar, preparar, nosso público do futuro, repassando-lhe conhecimentos básicos, ou de cultura de base, no mundo das armas e munições.
O advento e a manutenção desta séria linha de transmitir uma cultura homeopaticamente dosada iria abrir o caminho para o surgimento daquilo que havíamos denominado de público MAGNUM, um leitor criado para entender cada vez mais profundamente o fascinante mundo das armas de fogo e seus itens circundantes. Assim, floresceu o mercado da recarga de munições e despontou plenamente o potencial do tiro esportivo em nosso país.
Atenta a estes acontecimentos, a direção de MAGNUM rapidamente partiu para a obtenção da máxima informação de ponta no segmento, trazendo, muitas vezes antes que as mais tradicionais publicações congêneres, as novidades e as conquistas da área, mostradas em feiras internacionais, montando em paralelo um custoso corpo de correspondentes internacionais e acelerando os preparativos para uma cobertura nacional dos maiores eventos do tiro esportivo.
Atualmente, é muito comum os leitores escreverem cartas relatando que tudo, ou quase tudo, que sabem sobre armas e munições aprenderam conosco, o que é claro indicador da acertada linha estabelecida no princípio de MAGNUM.
Hoje, editadas outras 20 edições, com orgulho e satisfação, constatamos que o princípio mercadológico escolhido possibilitou um grande florescimento da recarga de munições, o surgimento de um tipo diferente, mais internacional, de lojista do segmento e a formação de um público, leitor e consumidor, naturalmente mais exigente e mais entendedor das bases técnicas do que deseja nesse universo.
A linha histórica deverá ainda permanecer algumas edições, justamente para que sua importante missão seja completada, e uma vez finda a revista MAGNUM terá condições de adentrar a segunda fase prevista em seu projeto original: aquela do conhecimento técnico mais aprofundado e dividido entre os maiores anseios de seus leitores, sem, obviamente, perder qualidade editorial ou a cobertura de importantes fatos internacionais do segmento.
Este importante período que está por findar implantou e elevou a imagem de MAGNUM como um veículo sério, feito com carinho e espírito empreendedor, merecendo o respeito dos leitores e do mercado anunciante. Mas, mais do que isso, ele foi história pura, a história de dois tipos de homens: os que trazem a cultura do segmento e os que a absorvem.
Agradecemos àqueles que acreditaram irrestritamente em nossa proposta e até àqueles que a criticaram, os quais sabemos que, para poderem fazê-lo, tinham que ler a publicação, muitas vezes mesmo sem admitir. A crítica devida, construtiva e educada é, como se diz, a ferramenta do verdadeiro aperfeiçoamento, e é somente através dela que pessoas e empresas conseguem cada vez mais apresentar boas ideias, produtos e serviços.
Uma vez, um leitor e admirador de nossa publicação afirmou publicamente que o mundo das armas e munições no Brasil se divide em dois períodos distintos: antes e depois do surgimento de MAGNUM. Em outras palavras, isso significa que todos contribuíram para fazer história, a história de uma revista especializada e a história do desenvolvimento de um segmento que era marginalizado e muito pouco entendido.
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