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Edição 77 - Ano 13 - Fevereiro/Março 2002
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Edição 77 - Ano 13 - Fevereiro/Março 2002

fev. de 2002 · 68 páginas

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A edição 77 da Revista Magnum começa com uma série de fatos bizarros de guerras — relatos quase inacreditáveis que mostram como a guerra tem sempre uma dimensão humana e imprevisível. O revólver Taurus 22 Hornet passa pelo banco de testes — o primeiro revólver brasileiro nesse calibre, um marco para a indústria nacional. O fuzil Remington 700 é testado num ambiente rural autêntico, mostrando o desempenho real em campo. O armamento norte-americano da Segunda Guerra Mundial ganha destaque especial. O Shot Show em sua 24a edição é coberto como a maior mostra mundial do setor. E um artigo sobre o perigoso costume de atirar para o alto fecha a edição com uma mensagem importante sobre responsabilidade.

Editorial

Múltiplos Títulos

Editoriais costumam ter um título e discorrem sobre determinado assunto ou múltiplos assuntos, relacionados ou não entre si, se o título assim o sugerir.

Porém, em função das últimas e funestas ocorrências em nosso país, há tantos assuntos importantes que é muito difícil elaborar um editorial com somente um título e, se fosse realmente necessário colocar apenas um aqui, ele talvez fosse um tropicalista “Geléia Geral”, ou ainda um carnavalesco “Samba do Crioulo Doido”, ambos títulos de músicas genuinamente nacionais e de grande sucesso.

Se tivéssemos que discorrer sobre assuntos exteriores ao Brasil, poderíamos utilizar o título “Criminalidade aumenta em países onde foi adotado o desarmamento”, este último francamente baseado em manchete do jornal paulista Folha de São Paulo, de 29 de janeiro de 2002 (“Crime à mão armada dispara no Reino Unido — país que se orgulha de sua política de desarmamento constata alta acentuada do uso de armas de fogo por criminosos”), onde novamente cita-se a Inglaterra, com 53% de incremento em ações criminosas à mão armada desde o ano passado (só em Londres os homicídios aumentaram quase 90% de 2000 para 2001), ou seja, depois de lá ter sido adotado o malfadado desarmamento do cidadão de bem — ideia que agora surge no Brasil como “solução perfeita” para décadas de má administração em campos tão variados como educação, segurança, bem-estar social e por aí afora (para que citar mais assuntos que são, ao mesmo tempo, nomes de ministérios? O leitor já os conhece todos e sobejamente).

Conforme o Sr. De Gaulle, ilustríssimo presidente da França, teria afirmado há muitos anos, “o Brasil não é um país sério”. Será que ele estava apenas baseando-se no pouco que sabia de nós ou teve vislumbres de um futuro onde alguns conhecidos sequestradores e assaltantes de bancos um dia seriam representantes legitimados pelo povo através do voto? Será que supostas causas políticas permitem certas atitudes consideradas normalmente criminosas à luz de qualquer legislação penal do mundo?

O fato é que não conseguimos esquecer um adesivo que era utilizado em automóveis à época do final do governo Sarney e que trazia os seguintes dizeres: “Figueiredo e gonorreia — que saudade!”, obviamente referindo-se aos “bons tempos” quando a AIDS praticamente não existia, as DSTs resumiam-se a conhecidas doenças venéreas curáveis por antibióticos e o então presidente da República e seu conjunto de ministros tinham pulso para manter a situação sob controle.

O mais estranho é que possuímos leis que regem o assunto utilização criminosa de armas de fogo, por sinal muito severas quando comparadas às de alguns outros países. Que tal se elas fossem realmente aplicadas? Como? Precisam mesmo ser mudadas? Bem, nesse caso, sugerimos as leis penais do estado da Flórida, nos Estados Unidos, algumas das quais já descritas no editorial da edição nº 71 de MAGNUM e que conseguiram reduzir os índices de criminalidade naquele estado norte-americano.

Problemas apontados, sugestões sérias indicadas: cumprimos nosso papel.

Lembramos ainda que o estado de Nova York, também nos Estados Unidos, sempre teve uma das mais restritivas leis no que se refere a armamento e, contudo, a criminalidade por lá só diminuiu recentemente, após ter sido reforçado o estrito cumprimento da lei em seus mínimos detalhes, ação sobejamente conhecida como tolerância zero.

Por essas e outras, percebemos ser uma pena que nossos políticos não tenham vontade de pesquisar tais realidades antes de tentarem criar soluções milagrosas e imediatistas de pouco ou nenhum embasamento histórico e legal.

Tempos interessantes, estes atuais, nos quais políticos sem a mínima compreensão do tema segurança pública arvoram-se em dar palpites surreais e eleitoreiros.

Realmente interessantes, pois os que sugerem desarmar o cidadão de bem andam quase todos rodeados de guarda-costas armados e não percebem que os bandidos continuarão a ser abastecidos de armas pelo contrabando caso a proibição venha realmente a ser estabelecida (continuarão, sim, já que eles não compram armamento em lojas) e só nós, cidadãos de bem, estaremos desarmados e à mercê do crime.

Aliás, em um desafio, gostaríamos que algum desses políticos mostrasse para nós, de MAGNUM, quais são, no Brasil, os estabelecimentos nos quais é possível adquirir legalmente carabinas ou fuzis AR-15 ou AK-47, ou mesmo simples pistolas no calibre 9 mm P.

Se qualquer desses “iluminados” for capaz de nos dar tal informação, aí sim engajar-nos-emos de corpo e alma no desarmamento geral e não só das pessoas de bem.

Por enquanto, preferimos a vida. Por enquanto, preferimos ter a legítima opção da autodefesa.

Índice

Índice da Edição
7
Resposta Armada — Mais Relatos VerídicosResposta Armada
Por Klaus Mauser
10
Fatos Bizarros das GuerrasEspecial
Por Mike GruberRelatos quase inacreditáveis
13
Recarga de Grandes CalibresRecarga de Munições
Por Eng. Creso M. ZanottaCuriosidades e peculiaridades desses calibres
20
Taurus 22 HornetTeste
Por J. J. D'A. MathiasO primeiro revólver brasileiro neste calibre
26
Fuzil Remington 700Teste
Por Lincoln J. TendlerUm teste rural
32
Incidentes de TiroTrabalho Policial
Por Márcio Santiago Higashi CoutoComo resolver tais problemas ou evitá-los
40
Armamento Norte-Americano da 2ª Guerra MundialMilitaria
Por Frank RabbitOs EUA e suas armas no grande conflito
45
Urso BrancoSafari
Por Os Editores
48
S.H.O.T. Show — 24ª EdiçãoEspecial
Por Lucio EnglerA maior mostra mundial de nosso segmento
58
Tiros para o AltoMagnum Pesquisa
Por L. Eduardo DoreaPerigosa homenagem

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