Editorial
Revista ao Brulil
Nós, de MAGNUM, sentimos que era chegada a hora de mais um retorno ao Brulil, país austral de grandes proporções territoriais, o qual já visitamos por duas vezes em passado algo recente, a última em 2006, e tal relato está no editorial da edição 96 de MAGNUM. Devido aos editoriais gerados através de tais viagens, vimos crescer a quantidade de cartas de parabéns à redação.
Tal revisita teria, como escopo principal, analisar como está a situação daquele estranho país após cinco anos de uma votação imensa com relação à venda legal de armas e munições e, pasmem, apesar de a vontade do povo ter sido bem expressa, o governo local fez questão de fingir que nada aconteceu e simplesmente ignorou e continua a ignorar o assunto, de modo deslavado. As casas da lei, conhecidas como a Cuia e o Domo, esqueceram dessa monumental derrota e passaram ao largo da vitória popular, fazendo ouvidos moucos às aspirações daquele sofrido povo.
Aliás, em um interessante esforço editorial, nossa redação e nosso departamento de arte trabalharam sobre uma foto de época, tirada no Brulil, e traduziram e adequaram as manchetes de alguns jornais para o português, desse modo facilitando a compreensão do assunto por nossos leitores, os quais, é claro, desconhecem a língua bruliliana.
Os suseranos, governantes locais, capitaneados por Vossa Excelência o Shogun Dom Louis Alullo, qual sucedeu a Dom Ferhenrys Cardho, parecem não notar que, de lá para cá, os índices de criminalidade aumentaram sobremaneira, em clara indicação de que os ventos que por lá sopram o fazem em direção contrária a todos os outros que varrem o planeta.
Dessa vez, a equipe MAGNUM pousou em local diferente, a antiga capital daquele rico país. A cidade a nos receber em primeiro lugar foi Ribeirón de Febrero, a qual dista aproximadamente 255 milhas ao norte do grande centro industrial de Brulil, a metrópole denominada Saint-Paul du Piratiny, e foi nesse eixo entre as duas urbes que ficamos a observar o que por lá ocorria. Vimos trocas de tiros entre uma mal preparada polícia e uma horda de bandidos, e isso aconteceu justamente numa das praias mais famosas de Ribeirón de Febrero, a mundialmente conhecida Pacobacana.
Chegamos em março de 2009 e soubemos que os governos estaduais e federal não dedicam grandes verbas à melhora das condições de trabalho e de sobrevivência das autoridades constituídas e dos agentes da lei, pagando salários tão baixos que favorecem, não a totalidade, claro, que alguns aceitem favores da bandidagem como compensação. E, como se isso não bastasse, praticamente nada dos impostos é investido em treinamento e reaparelhamento de tais tropas, fazendo assim com que a luta deles com os marginais seja desigual, esses últimos bem melhor armados do que os primeiros. Uma das estações de TV locais informou que mais de 74% dos policiais não estão preparados para embates contra a marginalidade, índice nada invejável e que nos faz pensar em quais seriam as razões para tal sofrível desempenho.
Desta vez nossa visita foi bem rápida, mas suficiente para podermos ter um quadro geral do que lá se passa e bem informar nossos fiéis leitores, sempre sequiosos por notícias internacionais. Assim, entrevistamos cidadãos nas ruas das duas metrópoles visitadas e quase unanimemente a população queixou-se da falta de segurança, educação e saneamento básico, tripé que, para nós, nunca deveria ser relegado a segundo plano.
E, para encerrar, informamos que nem adianta procurar mais detalhes sobre a nação visitada na web, já que nenhum motor de busca da internet tem qualquer informação adicional sobre os esdrúxulos costumes que lá observamos. Desse modo, sempre que possível e necessário for, deveremos fazer mais visitas esporádicas ao Brulil, visando atualizar aqueles que nos prestigiam a cada edição de MAGNUM.
Deixamos aquele país muito tristes, justamente na hora em que se discutia a demarcação de enorme área de terra fronteiriça e muito rica em minérios nobres, à qual deram o nome de Capivara da Lua. Os votantes, que ficam em Brulilia, atual capital federal do Brulil, e nunca visitam o local das discussões, promoveram um placar de 999 a 1 e, assim, as citadas terras ficarão passíveis de invasão por exércitos de outras nações. Tudo realmente muito estranho, mas, se o que dizem é verdade, cada povo tem o governo que merece, o Brulil continuará sua trajetória rumo a lugar nenhum, ao sabor de ventos otimistas que escondem, em seu âmago, uma tempestade a ser legada aos próximos mandatários.
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