Editorial
UMA PERGUNTA PARA O BRASIL: O QUE É MELHOR, PROIBIR OU EDUCAR?
Nosso assunto se relaciona às armas de fogo e às inúmeras investidas para proibi-las, mas proibição e educação se estendem a muitos outros assuntos que interferem na vida dos cidadãos.
Há alguns anos, adotei o mote “proibir é se mostrar incapaz de educar”. Isso porque eu realmente acredito que a proibição sem estudo e indiscriminada é o resultado da desconfiança de uma classe sobre a outra, considerada inapta e que se torna objeto de controle pela falta de acesso à informação imparcial e à educação. Contudo, parece que boa parte das autoridades brasileiras e dos governantes tem predileção pelo verbo proibir. Ao contrário, a educação é deixada de lado e ao acaso.
Mas por que isso acontece no Brasil? A resposta é que no Brasil vários grupos e organizações, políticos ou não, sempre se importaram em apenas fazer valer o seu ponto de vista. Foram criadas classes políticas ditas de esquerda e de centro-esquerda. A direita desapareceu. Cargos passaram a ter mais valor do que a convicção e os valores morais. Os bons costumes e tradições foram esquecidos e se declarar de direita acabou sendo um afronto, quando ser de direita, no meu entender, é simplesmente prezar pelos bons costumes e manter as tradições. É verdade que a inconsequência e o despreparo de alguns também contribuem para certas proibições, mas por acaso a inconsequência e o despreparo não são resultados da falta de educação?
Contudo, no Brasil se optou por demonizar a defesa de certos direitos e instituir uma nova forma de pensamento, onde algumas ditas minorias são tidas como o foco da defesa pelos chamados paladinos da política. Cria-se o engodo de que as minorias devem ser defendidas e protegidas e com isso se angariam votos ou recrutam adeptos. Mas enquanto fazem o máximo para defender algumas chamadas minorias, outras minorias são simplesmente esquecidas e, pior do que isso, mais discriminadas ainda. Dentre as minorias discriminadas pelos senhores do politicamente correto estão os colecionadores de armas, atiradores, caçadores e os defensores dos bons costumes em geral. Pode parecer que as minorias adquirem seus direitos através de protestos e apoio da mídia, mas a realidade é que são massas de manobra. Assim, não é meu objetivo discriminar qualquer minoria que seja.
Em meus artigos sempre faço menção à regulamentação da caça porque minha opinião é que, se ela fosse proibida na Europa e nos EUA, as armas esportivas longas seguramente deixariam de existir, e também porque ela está entre os três aspectos relacionados às armas que quero abordar: o tiro esportivo, a caça esportiva e a defesa. Mas enquanto essas atividades de tiro esportivo e de caça são aceitas e praticadas pela população de vários países e o direito à defesa do cidadão é respeitado, no Brasil o que se faz é omitir tais fatos da população e atribuir os males da sociedade à existência das armas de fogo. Assim, se utilizam da defesa do meio ambiente para proibir a caça, da violência urbana para afastar as pessoas, principalmente os jovens, do tiro esportivo e estimulam o cidadão a entregar suas armas com o argumento de que estas cairão nas mãos de criminosos. Não se faz distinção entre as armas utilizadas pelos bandidos e as armas possíveis de aquisição legal por um cidadão comum. Afinal, por que esclarecer? A minoria mais instruída não aceita, mas só discute o assunto em círculos fechados, onde os integrantes compartilham a mesma opinião. A grande maioria, leiga e mal informada, se divide entre a dúvida e a concordância com os meios de comunicação tendenciosos e organizações ditas não governamentais que lutam pelo desarmamento dos honestos.
Mas qual é o propósito de tudo isso? Enquanto em vários países os desportos de tiro são difundidos, os cidadãos têm o direito de manter e de portar armas para sua proteção e a caça é regulamentada, por que no Brasil do século XXI a insistência pela proibição prevalece?
A histeria pela proibição das armas legais e de sua posse por cidadãos de bem só pode ter como fundo a desconfiança da capacidade do povo, considerado despreparado e, portanto, incapaz de adotar atitudes corretas. E onde está a educação? Infelizmente, nossas crianças sequer têm acesso às escolas com salas de aula e carteiras decentes. Perpetua-se o povo dependente de auxílio do governo e, como consequência, a ignorância se fortalece.
E aquele que pensa que é ajudado se dá por satisfeito por ter um governo que supostamente cuida dele e de sua família. O que acontece à sua volta já não mais interessa. E onde estão a dignidade e o respeito do cidadão? Dignidade e respeito simplesmente deixam de existir e o povo dominado passa a acreditar que tudo o que possa causar algum dano, voluntário ou não, deve mesmo ser proibido, sem avaliar que o causador do dano seja o homem e não o objeto. Não podemos nos esquecer de que a proibição é o cerceamento do direito.
Nós, que defendemos o direito de ter e de portar armas, também somos minoria. Infelizmente somos a minoria que, em razão de valores trazidos do berço, nos atemos ao bom senso. Tentamos lutar pelas nossas causas sem apelação, com base em fatos e não em suas distorções. Ou seja, lutamos de forma limpa em um ambiente de cartas marcadas.
Nossas leis transformam o cidadão de bem em criminoso da noite para o dia, simplesmente por ele ter em sua residência uma arma de fogo.
É curioso que o Brasil do século XXI continue tão fechado para o mundo, que mesmo autoridades e educadores fechem os olhos aos acontecimentos de vários países. O Brasil é um país de imigrantes cujas tradições foram esquecidas. Costumes e tradições foram substituídos por modismos e pela submissão. O tiro esportivo, se divulgado, seria o princípio da educação do povo quanto ao uso consciente e correto das armas de fogo. Essas práticas dariam ao cidadão a aptidão para se defender. Porém, educar parece ser muito difícil e a boa educação dá ao povo a condição de argumentar. Assim, a opção aqui é pelo assistencialismo. Limitar a informação para não dar ideias. Proibir, para calar e controlar.
É preciso ter muito cuidado com a proibição. Proibir é muito fácil. No entanto, proibições não costumam ser obedecidas. O controle para o cumprimento da proibição cria abusos e desrespeito ao cidadão e ao bom senso, e aquele que hoje proíbe amanhã será proibido. Por outro lado, a educação cria condições de respeito e de desenvolvimento. Os homens não devem ser iguais, mas devem ser respeitados com igualdade. Educar é fazer parte, mas proibir é se achar superior.
O resumo é que também fazemos parte de uma minoria, porém a minoria que muitos preferem que se cale. Eu continuarei afirmando que as tradições e os bons costumes jamais devem ser proibidos e abandonados e que proibir é se mostrar incapaz de educar.
Nelson L. Faria
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