Editorial
DE POTENCIAL À POTÊNCIA
É com extraordinária satisfação que volto a escrever no editorial da Revista MAGNUM. Inicio nossa conversa convidando o leitor a refletir sobre o momento especial pelo qual nosso país está passando.
O Brasil é hoje a 6ª economia do mundo, recordista mundial no índice de “felicidade futura”, segundo pesquisa realizada em 140 países pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e mais da metade da população faz parte da classe C. De 2003 até o ano passado, 49 milhões de pessoas entraram nas classes A, B e C, sendo que a desigualdade de renda, embora seja uma realidade em nosso país, vem caindo desde 2001, ao contrário do que ocorre em outros países emergentes.
Outro fato notável é o turismo brasileiro. Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), as despesas dos brasileiros no exterior totalizam mais de US$ 16 bilhões em 2011, correspondendo a um aumento de 44% em relação ao ano anterior, a maior alta entre os países monitorados pela OMT. Para se ter uma ideia do que isso representa, os gastos de turistas chineses cresceram 30,2% e, dos russos, 21%. Com estes números, não nos causa surpresa que a administração do Museu do Louvre, em Paris, esteja estudando traduzir para o português seus mapas e materiais multimídia.
Tudo isso está acontecendo em um momento em que o país vivencia um despertar e um processo de fortalecimento da cultura de defesa, por meio da Estratégia Nacional de Defesa (END), publicada pelo governo brasileiro em 2008, e cujo grande objetivo é o de modernizar a estrutura do setor. Um ponto de extrema importância é que a END apoia projetos da indústria brasileira de defesa que considerem o uso dual, mercado institucional e mercado civil, em seus produtos e tecnologias, e esse fato, invariavelmente, fortalece o mercado civil, chamando atenção para sua importância em todo contexto da soberania nacional.
Já me despedindo, relembro que no editorial da Revista MAGNUM que escrevi em 2010, comentei a trajetória do segmento de armas e munições desde a publicação da Lei 10.826 em 2003, passando por marcos importantes como o referendo popular em 2005 e o recadastramento nacional de armas em 2009. De lá para cá, continuamos atuando no Congresso, com o objetivo de esclarecer e conscientizar os parlamentares sobre a ampla questão de armas de fogo. Temos mais uma vez boas perspectivas quanto à adequação da legislação à coerência e à vontade popular, e para isso reforço a importância de que os registros de armas de fogo, realizados por meio do recadastramento, sejam retirados nas respectivas unidades de Polícia Federal. Essa ação é necessária para reforçar aos órgãos competentes a vontade das pessoas em possuir legitimamente armas de fogo, e importante para seguirmos lutando por novas conquistas.
De tantos aspectos positivos aqui citados, encerro minha participação externando minha torcida ao tiro esportivo brasileiro nas Olimpíadas de Londres a partir do próximo mês, e compartilhando um dos fatos mais inspiradores: mesmo sendo realidade que a legislação para armas e munições necessita de adequações, é crescente o mercado destes produtos no Brasil, mostrando a retomada de um segmento honesto e legítimo, motivo de orgulho para todos que dele fazem parte.
Salesio Nuhs
Vice-Presidente da Aniam Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições e Diretor Comercial e de Relações Institucionais da CBC.
REVISTA MAGNUM 3
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