Editorial
PENSE ENQUANTO É SÓ PROPOSTA TEÓRICA...
... e calcule sua rota de fuga.
Você está percebendo coisa estranha? Tá se sentindo algo trêmulo, estranhando o chão, mas acredita que seja só você e, naturalmente, vai restar em silêncio, sem comentar com o vizinho.
Naquelas do tipo "Deve ser coisa minha e de ninguém mais... Comentar pra quê?"
Meu velho, não importa o que seja! Sel que algumas das possíveis razões podem causar constrangimento, então, pra que comentar sobre uma sensação física que pode ter a ver com sua, por exemplo, com sua ressaca, em plena terça-feira útil, não é mesmo? Pois é. Pols é...
Só que esse seu mal-estar pode ser a percepção física de um terremoto. Literalmente um terremoto.
Pode ser, Inclusive, que todas as outras pessoas ao seu redor o estejam sentindo também. Pode ser que algumas delas estejam vexadas por suas próprias hipóteses e conclusões acerca das causas e, provavelmente, isso vai promover atraso em providências úteis. Quiçá, providências das que definem e separam traumatizados e ilesos.
Percebe que, no fundo, essa sua reserva é coisa egoísta? Evitar uma possível vergonha, restando em silêncio acerca do estranhamento da situação, julgando íntima, ainda que isso custe atraso no soar de um alarma importante. Pois é.. Pois é: pense enquanto é só proposta teórica e calcule sua rota de fuga.
Eu... sugiro o compartilhamento sincero. Vão pensar que é um louco, um bêbado ou - Inda pior -um frouxo? É esse o seu pudor? Danem-se todos! Talvez, justamente os danados é que dependam do seu comentário, despudorado e altruista, para assistir à conservação de respectivas integridades físicas.
Pense a respeito. E isso funciona com outras tantas situações também.
Como as hecatombes são mais infrequentes que os fenômenos políticos, comece - como que em treinamento - prestando atenção nas estranhíssimas sensações que você vem tendo acerca do que rola em Brasília.
Pressente que está prestes a ver perdida certa parte de suas posses, não pressente não?
Sim, senhor: suas posses. Eu enxergo arma de fogo como porção relevante das posses de pessoas como você, e não saberia pensar diferentemente disso. Vou logo declarando que o chão se encontra bastante trêmulo!
Trêmulo... como a velha mão de um velho ébrio, antes da primeira dose.
Caio Wolff Bava
caiobava@revistamagnum.com.br
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