Editorial
INTRODUÇÃO
O objetivo básico deste trabalho é possibilitar ao Leitor a correta identificação de cartuchos para uso em armas portáteis.
Quando pensamos em identificação, queremos na realidade saber:
a) o calibre e a nomenclatura do cartucho;
b) quem o fabricou;
c) quando foi fabricado;
d) qual o tipo de projétil que foi usado;
e) uso a que se destina;
f) armas onde é (ou foi) usado;
g) outras peculiaridades.
Do que dispomos para uma correta identificação de um cartucho? Basicamente, de três conjuntos de informações a saber:
- aspecto geral do cartucho, pelo qual podemos, às vezes, identificar alguns detalhes tais como: material de estojo e do projétil, tipo do projétil, do estojo, etc.
- dimensões básicas do cartucho.
- inscrições na base do estojo (quando as há).
Para facilitar a compreensão, apresentaremos em seqüência didática noções sobre calibres, estojos, projéteis, sistemas de nomenclatura, inscrições de base com a apresentação de mais de 500 exemplares identificados e, finalmente, a identificação dimensional com o histórico de 300 cartuchos diferentes. Algumas tabelas com informações adicionais também são apresentadas como, por exemplo, os códigos secretos alemães utilizados na 2.ª Guerra Mundial pelos fabricantes de munição, os códigos numéricos da DWM e da G. Roth, etc.
NOÇÕES BÁSICAS SOBRE CALIBRES
Quando se fabrica um cano de arma Longa ou Curta a parte interna do mesmo (alma) é furada, alargada, polida e lapidada até um pré-determinado diâmetro. Este diâmetro, antes de ser efetuado o raiamento, é denominado de CALIBRE REAL, CALIBRE NOMINAL ou DIÂMETRO ENTRE CHEIOS.
A seguir, o raiamento, constituído por um certo número de ranhuras de pequena profundidade, será usinado de forma helicoidal ao longo do cano, com passo adequado para corretamente estabilizar o projétil a ser nele utilizado. A distância entre os fundos opostos do raiamento é chamada de DIÂMETRO ENTRE FUNDOS e é igual ao diâmetro ou calibre efetivo do projétil. Conclui-se, portanto, que o calibre efetivo de um projétil será sempre maior do que o calibre real do cano e essa diferença para maior é que irá permitir que o mesmo seja forçado contra os cheios do raiamento, neles se engrazando e passando a acompanhar a hélice segundo a qual o raiamento foi produzido, adquirindo assim a rotação necessária à sua estabilização durante a trajetória.
Exemplificando: o fuzil Springfield Modelo 1903 utiliza um cartucho conhecido como .30 Springfield ou .30-06 o qual tem o calibre real de .300” (7,62mm) e um calibre efetivo do projétil de .308” (7,82mm); o fuzil FAL, regulamentar no Exército Brasileiro, utiliza um cartucho conhecido como .308 OTAN (NATO em inglês), .308 Winchester ou, no sistema métrico como 7,62x51mm, o qual também possui calibre real de .300” e utiliza projétil de calibre efetivo de .308” todavia os dois cartuchos não são intercambiáveis.
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