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Edição 39 - Ano 7 - Junho/Julho 1994
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Edição 39 - Ano 7 - Junho/Julho 1994

jun. de 1994 · 100 páginas

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A edição 39 da Revista Magnum homenageia o herói esquecido do tiro olímpico brasileiro: Guilherme Paraense, o campeão que o Brasil não sabe valorizar como merece. A pistola italiana Tanfoglio TA 90 passa pelo banco de testes, confirmando a qualidade das wondernines europeias. Os clássicos Smith e Wesson Modelos 10 e 14 em .38 SPL também são testados. A Winchester 94 completa 100 anos — uma lenda do Oeste celebrada com o artigo que a data histórica merece. A Buck chega ao Brasil com suas facas de qualidade para movimentar o mercado nacional. O saque rápido é analisado como modalidade polêmica mas cada vez mais popular. E a submetralhadora Mauser Schnellfeuer — uma C-96 automática — é testada nas clássicas com muito entusiasmo.

Editorial

CRIME!

Recentemente, o Senado aprovou o projeto de lei do senador Hydekel Freitas (PFL-RJ) que revoga o artigo 19 do decreto-lei nº 3688 (Lei das Contravenções Penais), de 2 de outubro de 1941, tornando o porte de arma sem autorização policial um crime inafiançável, punido com reclusão de 3 a 5 anos e pena aplicada em dobro em caso de reincidência. No dia 18 de maio esse projeto de lei foi enviado à Câmara e, caso aprovado naquela casa, deverá ter a sanção presidencial.

Em sua base, o projeto de lei do senador Hydekel Freitas é bom para a sociedade como um todo, pois, em sendo crime inafiançável, elementos detidos em atitudes suspeitas e portando armas de fogo sem a competente autorização (na maioria das vezes já com ficha criminal) poderão ser, na teoria, afastados das ruas, certamente evitando-se assim que cometam prováveis violências.

Cremos que o fato de o porte ilegal de armas de fogo ser, provável e brevemente, um crime inafiançável não deve significar qualquer temor para o cidadão honesto apreciador das mesmas, pois ele sempre terá como documentar-se convenientemente, embora de forma extremamente burocrática. Entretanto, algumas declarações do senador nos fazem entrever que novamente a arma de fogo é vista, basicamente, como a razão de toda a violência que grassa pelo país, o que é, no mínimo, algo totalmente absurdo.

Quando seu projeto de lei foi aprovado, o senador Hydekel declarou a jornalistas que o entrevistaram: “… delitos de toda a natureza, desde simples furtos até latrocínios e sequestros, são praticados cotidianamente… e as famílias são obrigadas a viver em autênticos guetos para se proteger…”. Nessas declarações, nota-se, novamente, que o senador julga, muito erroneamente, que também a violência pode ser combatida através de decretos, ou em outras palavras imagina-se que proibindo algo ele não acontece.

Ora, senhores políticos, quem tem meio Q.I. sabe que a violência é subproduto de fatores sócio-econômicos tais como a falta de cultura, a miséria, a distribuição injusta de renda e até de falta de crença (que já existe há muito tempo no Brasil) na autoridade legalmente constituída. Escrevam em algum lugar: a transformação do porte ilegal de arma não irá acabar com a violência; poderá essa medida, quando muito e desde que cumprida à risca, significar a retirada de alguns maus elementos das ruas, o que, convenhamos, já seria um grande efeito e uma tranquilidade a mais. Curiosamente, o senador Hydekel não se lembrou de declarar isto, que seria o mais óbvio...

Novamente, voltamos a afirmar que somos totalmente favoráveis a essa medida, mas já descrentes em sua eficácia, pois onde estão as prisões para colocar os maus elementos portando ilegalmente armas de fogo, onde estão o discernimento e a desburocratização para conceder licenças de porte aos honestos, onde está uma lei que, pelo menos, minimize o contrabando das mesmas?

Como afirmou excepcionalmente bem o sociólogo Dr. Alessandro Ciciliani em artigo de sua autoria (veja MAGNUM nº 37, “Gun Control”): “A vida e a liberdade não têm significado sem os meios para defendê-las. A polícia também não pode estar ao mesmo tempo em todos os lugares. É verdade que o cidadão tem por dever evitar situações que presumam ou envolvam violência, mas no mais das vezes ele se vê atropelado pela violência dos outros, marginais ou não. Negar a este cidadão o elementar direito de defender-se, ou dizer-lhe que sempre a polícia o protegerá, é insultar-lhes a inteligência.”

A síntese disto que estamos colocando no papel é simples: deveria ter havido uma preparação prévia, cultural e material, para que a nova lei (voltamos a insistir, sadia em sua base) tivesse tudo para ser cumprida.

Não podemos nos iludir mais, fazer de conta que com esta nova lei toda a violência irá acabar, que é exatamente o que as declarações do senador Hydekel presumem. Perguntamos: e a violência do trânsito, a violência dos preços desmesuradamente altos ao início do novo plano econômico, a violência da miséria e da discriminação promovidas pela distribuição injusta de renda, a violência trazida pela falta de cultura mínima, etc.? Novamente, a lucidez do citado sociólogo não pode ser esquecida, principalmente quando no mesmo artigo anteriormente mencionado ele já afirmava que se a lei tem efeitos em alguns cidadãos honestos, certamente será assunto de piada nos antros marginais...

A grande verdade, convenientemente esquecida pelos políticos mas não pelo povo, é que a autoridade brasileira da atualidade é mesmo completamente ignorada. Em tempos passados, ela já nos tirou a liberdade (que antes havia jurado defender), o dinheiro arduamente poupado, um salário digno e até a simples alegria de viver, de ir e vir em qualquer hora ou lugar com segurança.

Paradoxalmente, os próprios políticos nos mostraram incríveis exemplos de corrupção e de não obediência às leis. Assim, como alguns deles querem agora nos impingir uma espécie de “panaceia universal contra a violência” através de súbitas e novas leis que não tiveram o mínimo respaldo preparatório e anterior? Trocando em miúdos: novamente, pura, puríssima, demagogia!

Enquanto temos à disposição números (habilmente bem usados pelos antiarmas nacionais) de violências cometidas com armas de fogo, não temos dados a respeito de quantas delas foram evitadas quando cidadãos honestos interromperam assaltos, estupros, roubos, invasões, etc. com um simples estampido.

A este propósito, algumas experiências norte-americanas sobre a desburocratização para com o porte de armas a maiores de 21 anos e sem antecedentes criminais devem ser lembradas: 1) em 1986, a pequena cidade de Kennasaw, na Georgia, teve uma diminuição de 86% (oitenta e seis por cento) de crimes violentos em relação ao ano anterior; 2) quatro anos após a desburocratização do porte de armas na Flórida, os casos de homicídio caíram 21% (vinte e um por cento) naquele Estado; 3) no Estado do Texas, onde tradicional e culturalmente há muito não se tem desnecessária burocracia para emissão do porte de armas, registra-se o menor índice de criminalidade dos EUA!

Em contrapartida, o menor número de criminalidade em países europeus está na Suíça, onde cada cidadão após prestar o serviço militar (obrigatório e reciclado anualmente até a idade de 45 anos) leva para casa, além de seu uniforme, um fuzil de assalto, uma pistola semi-automática e respectivas munições, itens estes que ficarão sob sua guarda. Em miúdos: 100% (cem por cento) da população honesta está domesticamente armada e tem grande proficiência com armas de fogo modernas, bem como cultura, bom salário e boa qualidade de vida!

Então, é claro, fica patente que enquanto o projeto de lei do senador Hydekel Freitas é bom, desde que realmente maus elementos apreendidos com armas de fogo em situação de porte irregular sejam processados e encarcerados como criminosos, deve também existir total desburocratização para conceder a cidadãos honestos o direito de porte das mesmas. Em caso contrário, nessa lei estará o germe de um crime muito maior: forçar a população honesta a ser ilegal!

Índice

Índice da Edição
14
Espoletas e EspoletamentoRecarga de Munições
Por Eng. Creso M. ZanottaSaiba tudo!
22
Guilherme ParaenseEspecial
Por Geraldo de Andrade Ribeiro Jr.O herói esquecido
28
Tanfoglio TA 90Teste
Por Jean-Louis CourtoisA "Wondernine" Italiana
34
6º FenatiroTiro Esportivo
Por Lincoln J. TendlerFesta do Tiro Brasileiro
38
Smith & Wesson Modelos 10 e 14Teste
Por José Joaquim D'Andrea MathiasClássicos em .38 SPL
44
Buck no BrasilCutelaria
Por Laércio GazinhatoA grande marca em nosso mercado
48
Winchester 94Especial
Por José Joaquim D'Andrea MathiasUma lenda de 100 anos!
56
Smith & Wesson — Contrato BrasileiroColeção
Por Günther ReichelSábia escolha de nosso Exército
62
"Sniper" PolicialTrabalho Policial
Por Luiz e Lúcio PetraccoConheça este "lobo solitário"
68
ColdresEspecial
Por Luiz e Lúcio PetraccoO que escolher e usar
73
Durabilidade de CanosMagnum Pesquisa
Por Günther ReichelResposta que todos esperavam...
76
Mauser "Schnellfeuer"Testando as Clássicas
Por Lincoln J. TendlerUma C-96 com maior poder de fogo
80
V Torneio Brasileiro de Tiro PolicialTiro Esportivo
Por Lincoln J. TendlerMais uma vez, esse famoso campeonato
86
LAPAEspecial
Por Ronaldo OliveO futuro que ficou no passado

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