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Edição 43 - Ano 7 - Junho/Julho 1995
REGULAR43

Edição 43 - Ano 7 - Junho/Julho 1995

jun. de 1995 · 100 páginas

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A edição 43 da Revista Magnum visita o quartel-general da Crosman — a empresa referência no mundo do ar comprimido — mostrando como as armas de pressão são fabricadas com tecnologia de ponta. A nova Taurus PT-945 passa pelo banco de testes trazendo novo conceito em calibre clássico .45 ACP. O VII Fenatiro é mais uma vez um macro-torneio que movimenta o tiro esportivo brasileiro. As marcas de prova recebem nova edição especial para colecionadores. A IWA 95 europeia traz todas as novidades do Velho Mundo. Para os cuteleiros iniciantes, um guia passo a passo sobre como fazer a primeira bainha. E o aniversário de 60 anos do calibre .357 Magnum é celebrado com o carinho que a data histórica merece. Uma edição especial.

Editorial

O Custo da Solidão

Fontes informativas dos EUA nos cientificam, novamente, sobre fatos preocupantes relativos a Armas & Munições nacionais.

Desta vez, é o SAAMI Sporting Arms and Ammunition Manufacturers Institute (Instituto dos Produtores de Armas e Munições Esportivas), poderosa e seríssima instituição técnica que congrega praticamente todos os fabricantes desses itens que adentram o mercado de “Tio Sam”, que está tomando providências legais para tentar sobretaxar armas e munições brasileiras.

Segundo informações oficiosas, mas de técnicos do próprio organismo norte-americano, esse novo pedido de sobretaxação agora fundamenta-se no fato de o governo brasileiro, através de suas autoridades militares, frequentemente rejeitar pedidos e propostas de aqui se produzir e/ou comercializar munições de fabricantes dos EUA.

Isto é, realmente, uma estranha verdade. Quando muito, e após grande burocracia e demora, as autoridades militares brasileiras autorizam apenas algumas federações de tiro esportivo a importar munições para seus associados. Ao contrário, e felizmente, já temos à disposição algumas armas de fogo importadas, se bem que a preços relativamente caros devido aos impostos que sobre elas incidem.

Em passado recente, algumas poderosas empresas nacionais dos segmentos de armas e de química tentaram, totalmente em vão, comercializar e/ou produzir munições das mais reputadas marcas norte-americanas e europeias. Curiosamente, todas as últimas negativas das autoridades militares brasileiras ocorreram justamente no período em que mais se combateu e discutiu os malefícios desses grandes “elefantes brancos” que são os monopólios e oligopólios que tanto atravancam a economia nacional, deixando reflexos de sua descabida continuidade na imagem do Brasil.

Felizmente, os técnicos do SAAMI também informam que a sobretaxação ora proposta não será para com todas as armas de fogo aqui produzidas, mas sim se centraliza naquelas da marca Magtech, produzidas pela CBC Companhia Brasileira de Cartuchos para mercados estrangeiros, uma vez que teria sido esta a empresa diretamente responsável pelas negativas das autoridades brasileiras.

Nosso trabalho de comunicadores especializados no segmento de armas & munições impõe que comentemos essa questão.

Iniciamos pela estranheza de as importações brasileiras se abrirem em praticamente todos os setores, menos no de munições. Essa moderna e sábia abertura comercial fez com que brasileiros tivessem acesso a muitos produtos melhores e mais baratos que os nacionais e deve ser especialmente notado que nossa indústria automobilística foi obrigada a melhorar a qualidade geral dos veículos que produz apenas em face da concorrência estrangeira. Com isso, o setor automobilístico aumentou as vendas e bateu recordes de produção, conforme declararam seus próprios representantes. Em outras palavras: a indústria automobilística nacional entendeu que a concorrência estrangeira era mesmo inevitável e hoje os maiores importadores brasileiros de veículos são a Fiat e a Volkswagen.

Taurus e Rossi, os maiores produtores sul-americanos de armas de fogo, a Boito, que comercializa suas espingardas nos EUA sob a denominação de IGA Indústria Gaúcha de Armas, e a própria Imbel, tão ligada ao Exército Brasileiro, são empresas que há muito entenderam que ao não se oporem à entrada de armas estrangeiras no Brasil apenas ganhavam com isto.

No fundo, a atitude de não oposição à entrada de armas de fogo em nosso país é mesmo muito inteligente sob o ponto de vista estritamente comercial: nosso mercado para esses itens é pequeno e pobre e aqui há muito se vende pouco; em contrapartida, EUA e Europa têm grandes, enormes índices de consumo desses itens. Assim, em troca de umas poucas armas de fogo importadas e aqui vendidas, as empresas nacionais do segmento ganham uma espécie de “passe livre” para sua entrada em pujantes mercados estrangeiros. Além disso, o direito individual de cada consumidor é extremamente respeitado naquilo que ele deseja adquirir.

Por uma descabida política de impostos, armas de fogo são taxadas com altos percentuais em nosso país. Assim, caso comparadas com similares norte-americanas e europeias, elas têm aqui preços finais maiores em cerca de 20 a 40%, na média. O mesmo, muito estranha e infelizmente, não acontece com a munição produzida pela CBC Companhia Brasileira de Cartuchos. Suas munições aqui vendidas são, na média, 3,5 a 5 vezes mais caras que as congêneres norte-americanas, o que é, sob todos os pontos de vista, um descalabro e, pior ainda, desrespeito para com o consumidor.

Quando foi uma vez consultada pela direção de Magnum sobre o porquê disso, os dirigentes da CBC alegaram que essa brutal elevação de preço era resultado dos altos impostos brasileiros. Entretanto, no mercado internacional, as munições da marca Magtech, produzidas pela mesma CBC, conforme já mencionamos, têm preços competitivos com as similares norte-americanas e europeias.

Posto isto, e continuando nosso trabalho de análise, chamamos a atenção para algumas reflexões sobre esse tema:

  1. Se a munição da CBC aqui vendida é tão mais cara e, ao mesmo tempo, competitiva no exterior, é lícito pensar que seu maior preço em nosso mercado sirva, mesmo descontados os impostos de comércio local, para subsidiar aquela que é exportada. Em caso contrário, seria a CBC a única empresa brasileira que se livra dessa absurda prática que aqui temos de também exportar impostos?

  2. Uma vez que os impostos brasileiros sobre esses itens são comprovadamente tão maiores, certamente se constituindo em uma boa fonte de arrecadação, por que nossas autoridades brasileiras não permitem aqui a venda de munições importadas, como fizeram com as armas de fogo? Existiriam dois pesos e duas medidas nessa questão?

  3. O alto custo da única munição aqui produzida faz com que até os integrantes das forças armadas e das polícias nacionais não possam ser adequadamente treinados quanto ao uso de armas de fogo. Que sábio critério existe ao permitir a continuidade disto?

  4. Sob o ponto de vista da segurança nacional, seria seguro ter-se apenas uma única fábrica de munições em todo o vasto território nacional? Isto não nos deixa extremamente vulneráveis em caso de um conflito internacional armado?

  5. A recarga de munições cresce a passos larguíssimos em nosso país, uma vez que é atualmente a única maneira viável de se ter munição a preço condizente. Só para se ter ideia, hoje uma caixa com 50 cartuchos de calibre .38 SPL de projétil convencional custa em nosso varejo a média de R$ 50,00. Pois bem, a mesma quantidade recarregada pode ser obtida a meros R$ 5,00, caso se tenha os estojos.

  6. No varejo dos EUA, a mesma quantidade dessa munição custa, em média, US$ 14,37, conforme pesquisa feita entre anunciantes do jornal de ofertas “Shotgun News”, edição de maio do corrente. Obviamente que, sem os impostos locais e adquirida no atacado, essa munição teria seu preço reduzido em cerca de 30%. Assim, admitindo-se impostos e encargos de importação para o Brasil ao redor de absurdos 126%, essa munição custaria para um distribuidor brasileiro cerca de US$ 22,73 ou, ao câmbio de junho de 1995, R$ 20,45. Sem comentários.

Assim, com todas estas reflexões, abrimos espaço em nosso veículo para manifestações de todos.

Índice

Índice da Edição
18
Marcas de ProvaMagnum Pesquisa
Por Eng. Creso M. ZanottaConheça aqueles pequenos timbres
22
Visitando a CrosmanEspecial
Por Lincoln J. TendlerQuartel-General do Ar Comprimido
28
Fazendo Sua Primeira BainhaCutelaria
Por Rev. José Milton Gomes Christine... Mais fácil do que você imagina!
34
VII FenatiroTiro Esportivo
Por Lincoln J. TendlerMais uma vez, um macro-torneio
40
IWA 95Especial
Por Jean-Louis CourtoisTodas as novidades europeias
49
O "Soco-Inglês" PistolaEspecial
Por Laércio GazinhatoUm inusitado artefato francês
52
Nova Taurus PT-945Teste
Por José Joaquim D'Andrea MathiasNovo conceito em calibre clássico
60
Pistola Ruger 22/45Teste
Por Lincoln J. TendlerEficácia e robustez no diminuto calibre
66
G.A.T.E.Trabalho Policial
Por Lincoln J. TendlerExcelente unidade especial
70
Espingarda High-StandardTeste
Por Ronaldo OlivePioneirismo no campo policial
78
Meu Amigo, o .357 MagnumEspecial
Por José Joaquim D'Andrea MathiasTudo sobre os 60 anos deste clássico
86
Revólver ThunderfiveTeste
Por Jean-Louis CourtoisUm "pequeno monstro"

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