Editorial
Pontos de Vista e a Lógica Míope
Desde que a civilização começou, nosso planeta está dividido entre aqueles que pensam e os que seguem tais pensamentos. Os grandes pensadores, filósofos ou não, sempre opinaram sobre diversos assuntos, cada um deles com seu ponto de vista, ou seja, uma “lógica pessoal”.
Ora, mesmo quando ocorre a exposição de uma lógica basicamente irrepreensível, sempre haverá aqueles que, por teimosia ou por enxergar um pouco à frente (ou mesmo por não o fazê-lo), irão a ela se antepor. Nada mais justo, visto ser a democracia atualmente dominante em todo o mundo. E, dentro do conceito democrático, todos têm o direito de expressar opiniões contrárias a proposições. A embasar tal conceito existe até um ditado, o famoso “da discussão nasce a luz”.
Contudo, quando opiniões são emitidas por pressão política ou monetária, elas não terão o valor daquelas baseadas em experimentação, já que as primeiras constituem-se apenas em pura defesa de certos interesses e, por conseguinte, são anunciadas à luz de uma “lógica míope”.
O leitor quer exemplos de atos ou ditos que não escapam ilesos da mais simples análise não apaixonada? Pois bem. Comecemos com um totalmente fora do escopo desta publicação, como o fato de a quase maioria dos motoristas, na cidade de São Paulo, trafegar à noite apenas com as lanternas acesas (algo que, curiosamente, é até raro em outras capitais brasileiras e no resto do mundo), ao invés de faróis baixos, os quais, por sinal, são exigidos pela lei (artigo 40, parágrafo 1º do Código de Trânsito Brasileiro).
Em um exercício de filosofia básica, procura-se imaginar uma razão válida na qual o paulistano consiga embasar-se ao defender tal ideia e pode-se chegar à conclusão de que alguns não queiram gastar a bateria de seu veículo, uma bobagem extremada, já que, com o motor em funcionamento, quem fornece energia para o consumo elétrico é o alternador. Outros podem alegar que “não querem incomodar os outros com a luz dos faróis”, e aqui nos perguntamos para que existe regulagem de facho.
Podem existir, ainda, aqueles que acham tal atitude “cool”, sem, contudo, perceberem o risco que estão correndo e impondo aos outros por não enxergarem e não serem vistos. Como curiosidade, lembramos que as mais atuais leis norte-americanas já demandam que veículos saiam de fábrica com um dispositivo que mantém os faróis do carro ligados todo o tempo, pois chegaram à conclusão de que, ao se trafegar por baixo de um viaduto em um dia de sol e houver um pedestre atravessando, o motorista não o verá, e vice-versa, podendo ocorrer o atropelamento.
Em suma, em grandes metrópoles como São Paulo, onde ainda por cima novos buracos surgem a cada dia, a atitude de utilizar apenas as lanternas, cuja denominação, em inglês, é parking lights, ou seja, luzes de estacionamento, ao invés de faróis baixos, é completamente indefensável, seja qual for a ótica pela qual é analisada. O mesmo acontece com certas autoridades governamentais as quais, apesar de conhecerem, ou será que não conhecem, as estatísticas internacionais referentes ao aumento da criminalidade em países nos quais o desarmamento civil foi aplicado, insistem nessa tese surreal de que só desarmando a população conseguiremos a paz.
Algumas conclusões são óbvias: a) parafraseando Jesus Cristo agonizando na cruz, “eles não sabem o que fazem”; b) estão atendendo a interesses internacionais escusos, como por exemplo o do grande investidor e especulador George Soros, o qual patrocina algumas ONGs, entre elas uma que prega desbragadamente o desarmamento civil em todo o mundo e outra que defende a liberação das drogas; c) os bandidos continuarão a usar armas, já que no Brasil não há acréscimo de penas nesse sentido; d) o contrabando irá fatalmente aumentar e aí só os bandidos terão armas. Como irá garantir-se o cidadão de bem? O pior cego é aquele que não quer ver.
Tese defendida, vamos às derradeiras considerações: um leitor nos escreveu observando que de nada adianta expormos nossa opinião apenas nesta publicação, já que todos os que leem MAGNUM são a favor das armas. Explicações: a grande maioria dos outros órgãos de imprensa nem costuma publicar opiniões pró-armamento; estamos dando a nossos leitores a necessária “munição” para que lutem por seus direitos com opiniões bem embasadas e tentem fazer chegar a páginas de outras publicações tal expressão da verdade. Além disso, só nos restaria introduzir, cirurgicamente, nossas opiniões nos cérebros daqueles que estão em condições legais de decidir sobre o destino de todos nós e não param para pensar, ou pensam errado, ou não veem o outro lado da moeda, ou ainda pensam de acordo com discutíveis interesses.
In tempo: nossa lógica não míope ainda não conseguiu descobrir os estabelecimentos comerciais de varejo que vendem para a bandidagem, legalmente, armas que “calçam” calibres já “proibidos” como 7,62 x 51 mm, 5,56 x 45 mm, 7,62 x 39 mm, 9 mm Parabellum, .357 Magnum, .45 ACP, .38 Super, .50 AE, .44 Magnum, .40 S&W, 10 mm.
A Palavra Não Silencia
A golpes de espada, e com requintes de crueldade, morre no Rio de Janeiro o jornalista Tim Lopes. Conforme se costuma dizer quando quem perece é um policial, Tim também morreu no cumprimento do dever, enquanto colhia dados para uma reportagem sobre drogas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Esta pequena e singela homenagem ao colega era necessária, pois sabemos dos percalços e perigos que enfrenta um repórter quando decide ir fundo em prol da informação correta. Muitas vezes passamos pelo mesmo tipo de risco e conseguimos voltar para completar a reportagem. Você, só dessa vez, não conseguiu.
Vai-se o homem, fica a palavra. Tim, aí no céu onde você está neste momento, torcemos para que, de cabeça erguida, consiga ver seus algozes e saber que a justiça não tardará. Saber ainda que você lutou por um mundo melhor e que outros, em sua esteira, darão continuidade a seu lindo trabalho. Fique em paz, irmão!
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