LogoLogo
Revista Magnum Edição 118
REGULAR118

Revista Magnum Edição 118

abr. de 2013 · 68 páginas

🔒 Assinatura ou acesso avulso por 30 dias

A edição 118 da Revista Magnum começa com um especial apaixonante sobre Django Livre — o filme de Tarantino visto através dos olhos de quem entende de armas de verdade. E falando em armas de verdade, o fuzil Barrett passa por teste completo nas páginas da Magnum: considerado um dos maiores ícones do universo das armas de fogo, ele não decepciona. A Beretta PX4 Storm finalmente chega ao banco de testes — um compromisso cumprido com os leitores. A caça ao javali ganha destaque especial como prática que ajuda a controlar a explosão populacional do animal no Brasil. Uma caçada de faisão na França interior e um mergulho na arqueria esportiva completam uma edição que conjuga cinema, esporte e aventura com elegância.

Editorial

Cultura, tradição e fortalecimento de nossos direitos

Aproveitarei minha visita ao SHOT Show (veja matéria alusiva nesta edição) para tecer algumas considerações sobre Armas de Fogo e outros itens presentes à famosa Mostra:

A edição de 2013 teve lugar no Sands Expo and Convention Center, adjunto aos Palazzo e Venetian Hotel & Casino, em Las Vegas, Nevada EUA. E é pelo local que começaremos: Las Vegas é a cidade que verdadeiramente vive 24 horas por dia. Um mundo à parte, com infraestrutura invejável e um conceito de grandiosidade que leva às várias camisetas à venda como souvenires nas lojas e aeroportos trazerem a frase "The Fabulous Las Vegas". E é exatamente isso, uma localidade fabulosa, onde pessoas de todas as nacionalidades e interesses se cruzam nas ruas e nos amplos corredores de seus hotéis com uma infinidade de máquinas caça-níqueis, espalhadas pelos seus vários casinos. Enfim, Las Vegas é, em minha opinião, uma grande metrópole que agrada até aqueles que detestam cidades grandes, principalmente os que vêm do interior e foram criados em sítios ou fazendas.

E não poderia haver melhor lugar para hospedar uma Mostra tão grandiosa de armas e acessórios destinados às atividades de Tiro Esportivo, Segurança e Caça, além das demais atividades ao ar livre.

O impressionante número de visitantes que circula pelo SHOT Show é algo singular, com a multidão se confundindo pelos corredores dos hotéis adjuntos Venetian e Palazzo e pelo interior de seus casinos para adentrar e sair do Sands Expo, com seus aproximados 209.000 m², e da também fabulosa Mostra de produtos voltados aos públicos civil e militar, contando com 7000 (sete mil) expositores de armas, munições, coletes, acessórios dos mais variados e vestimentas, incluindo cutelaria, arquerismo e veículos off road.

SHOT Show, como o leitor assíduo de MAGNUM já deve saber, é um feliz trocadilho, visto que a palavra “SHOT” significa “tiro” em português, mas no caso da feira em questão, SHOT é a sigla para Shooting, Hunting, Outdoor Trade, ou seja, algo como: comércio de materiais para tiro, caça e atividades ao ar livre.

Mas, ao percorrer os vários corredores da Mostra e visitar os estandes muito bem elaborados e observar que o universo das armas de fogo surpreende mesmo aqueles acostumados ao meio, podemos avaliar que tudo vai muito além da simples visão de exemplares muito bem construídos de armas, sejam elas de fogo ou de pressão, facas, arcos e afins. Tudo se trata da manutenção da cultura e da tradição ao redor das quais as armas são meros acessórios.

Muitos julgam as armas como responsáveis pelos danos à humanidade, mas na verdade elas são responsáveis pela existência da humanidade. Não fossem elas, os homens sucumbiriam ao ambiente hostil do planeta que habitam. E ao cruzarmos com os orgulhosos expositores que gentilmente nos cumprimentam com o costumeiro “How are you today?”, podemos ver em sua acolhida o orgulho de, naquele momento, presentearem o visitante com o resultado de seu trabalho.

E, naquela imensidão de pessoas se confundindo entre os estandes, temos a certeza de que as armas são apenas coadjuvantes. As estrelas principais são as pessoas e sua vontade de conhecer novos produtos e marcas, além de reverenciar a genialidade daqueles que um dia deram início a essas ferramentas dignas de admiração, principalmente porque os visitantes do SHOT Show e de outras exposições de armas nos EUA e em outros cantos do mundo não são loucos que veem as armas como objetos para cometer violência. Esse grande número de circunstantes, e muitos outros que não estiveram lá, mas que são a favor do direito à defesa e à prática dos esportes de tiro, são pessoas totalmente lúcidas que valorizam a história e admiram as armas da mesma maneira que um apreciador de arte aprecia pinturas e esculturas.

Não sei se as notícias que ouvimos no decorrer do evento SHOT Show 2013 (15 a 18 de janeiro) terão se alterado totalmente à época da circulação deste artigo, mas é importante descrever também o ocorrido nos meios políticos e na mídia.

Durante esse grandioso evento, a discussão nos diversos canais de TV dos EUA girava em torno de medidas restritivas propostas pelo governo e apoiadas pelas várias organizações desarmamentistas que estão sempre à espreita e torcendo por alguma “fatalidade” envolvendo armas de fogo e assim se municiarem para a batalha. A impressão que se tem ao assistir aos discursos dos antiarmas se valendo de mortes de crianças inocentes para defender seus ideais desarmamentistas é que eles, de certa forma, torcem para que atentados do tipo ocorram para voltarem à carga. Por outro lado, os que são a favor do direito de ter e portar armas, sejam para defesa, esporte ou caça, realmente lamentam tais ocorrências, pois percebem que a troca de acusações não busca soluções, mas sim culpados.

Ao assistir o senhor Ed Sullivan acusar o ator Tom Selleck de ser um dos culpados pelo falecimento de crianças inocentes, simplesmente por ele ser hoje membro da diretoria da NRA (National Rifle Association), e pedir a ele explicações sobre sua posição a favor das armas, fica claro o sensacionalismo em torno da ocorrência.

Contudo, pude observar claramente que mesmo os mais fanáticos antiarmas dos EUA sempre procuravam deixar claro à população que não estavam apoiando o desarmamento do povo americano, mas apenas apoiavam a restrição proposta da venda aos civis de fuzis semiautomáticos, e a também proposta redução da capacidade dos carregadores das pistolas para apenas 7 (sete) cartuchos, lembrando que em 1993 foi aprovada a lei Brady, que já restringia a capacidade dos carregadores das pistolas para 10 (dez) cartuchos. É possível que alguns poucos estados norte-americanos aceitem tal medida, mas a grande maioria dificilmente adotaria. Na verdade, essa abordagem dos antiarmas estadunidenses não significa que apoiam o direito de ter e portar armas e a segunda emenda da constituição daquele país. A realidade é que conhecem a postura do povo de lá quanto aos seus direitos, e lhes cairia muito mal brigar abertamente contra a maioria. É o golpe baixo e sorrateiro daqueles que sabem que seus argumentos não se sustentam.

Seja como for, a situação nada tem a ver com a forma que as notícias sobre o assunto são veiculadas no Brasil pelos meios de comunicação, as quais tentam convencer a população de que “até nos EUA a população é favorável ao desarmamento”. Mentira. Nos EUA, pesquisas mostram que 64% da população são contra o desarmamento. Curiosamente, é um número muito semelhante ao dos brasileiros que votaram NÃO ao desarmamento no referendo de 2005.

Tudo isso pode ser constatado no SHOT Show. Pessoas de bem, cidadãos cumpridores das leis e contribuintes que nada mais veem nas armas do que objetos para esporte e caça e, eventualmente, objetos para defesa. Mas, em países como os EUA, onde o estado atende melhor às prioridades da população, a necessidade de armas para a defesa é bem menor do que em países como o Brasil, onde as verdadeiras causas da violência, como o fracasso da educação, da saúde e das condições mínimas de vida com dignidade, são ocultadas e as armas se tornaram o bode expiatório. Assim, os esportes de tiro e a tradição da atividade de caça ficam em primeiro plano, embora a produção e a venda de pistolas de pequenas proporções tenha se tornado o foco principal dos fabricantes nos últimos anos, para o chamado “concealed carry”, ou seja, porte de arma oculta.

Visitar o SHOT Show é, portanto, muito mais do que apreciar belas armas e conhecer diferentes marcas: é refletir sobre o mundo criado em torno delas e os valores das pessoas que têm coragem de se mostrar e dizer que são capazes de ter e de portar armas e que seus direitos devem ser respeitados.

O prestígio a esse tipo de evento, seja nas fabulosas proporções da mostra e da cidade que a hospeda, ou em proporções modestas como o que ainda permite o nosso Brasil com todas as dificuldades, faz parte da luta para mantermos as culturas e tradições e fortalecermos os nossos direitos. Portanto, comparecer às exposições de armas como visitante ou expositor é necessário para mantermos a chama acesa. That’s what it is all about.

Índice

Índice da Edição
8
Armas e Django LivreArmas no Cinema
Por Caio Wolff BavaCom bom enfoque nas armas, uma análise apaixonada do filme em questão
16
SHOT Show 2013Eventos
Por Leduar Kneese / Mike Gruber / Bob LesmeisterTrês de nossos Colaboradores exclusivos visitam a importante Mostra e trazem as mais importantes novidades
24
Fuzil BarrettTeste
Por Hélio Barreiros JúniorConsiderado um dos maiores ícones do Universo das Armas de Fogo, finalmente este renomado fuzil chega a nossas páginas
30
Javalis — A Caça Maior Chega ao BrasilCaça
Por Alvaro Barcellos Souza MouawadPressionado pelos índices de população excessiva deste animal, o Brasil chega por vias tortas a tal liberação
34
Beretta PX4 StormTeste
Por Lincoln Tendler / Anselmo SanchesTeste há muito prometido é concretizado nesta edição de MAGNUM, sendo a pistola em calibre .45 ACP
42
Arco e FlechaArqueria
Por Nelson L. de FariaLeitores, fazemos agora uma releitura desse empolgante Esporte
48
Caçada de Faisão no Interior da FrançaCaça
Por Eduardo ScodroMais um episódio internacional de Caça, desta vez de Pena e diretamente da França!
56
Armas de Pressão — Novas Carabinas GamoApresentação
Por Nelson L. de FariaNovas carabinas Gamo são analisadas quanto a muitas nuances importantes dos dois modelos

Acesse esta edição

Assine e acesse esta e outras 206 edições. Ou compre apenas esta edição por 30 dias.

Outras Edições

Continue explorando o acervo