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Edição 81 - Ano 13 - Novembro/Dezembro 2002
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Edição 81 - Ano 13 - Novembro/Dezembro 2002

nov. de 2002 · 70 páginas

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A edição 81 da Revista Magnum resgata um dos maiores ícones das armas americanas no banco de testes: o Colt Single Action — afinal, como atira essa lenda do Velho Oeste? A resposta está nesta edição, com toda a paixão que o modelo merece. O fuzil Bushmaster XM15 E25 — o AR-15 que poucos conheciam — também passa pela análise técnica completa. O Centro de Treinamento Tático CTT-CBC inaugura um novo enfoque em treinamento de atiradores no Brasil. O I Magnum Show apresenta uma feira diferente de tudo que o Brasil já viu no setor. O atirador de elite — o sniper — tem sua importância e técnica destrinchadas num artigo especial. E relatos reais de caçadores brasileiros completam uma edição vibrante e cheia de novidades.

Editorial

Quando o Silêncio Não é de Ouro, ou Magos & Duendes

Muito já foi dito sobre o Brasil ser um país de contrastes, a terra do “jeitinho” e do “deixa pra amanhã”, onde tudo se conserta sozinho. O folclórico anedotário nacional, bastante extenso, conta com “pérolas” do tipo “o Brasil só cresce porque à noite os políticos dormem” ou “pior do que está não pode ficar”.

Pois bem. Sem nos prendermos a padrões imutáveis e nem cairmos em lugares-comuns, pouco a pouco acabamos chegando à triste conclusão de que a última das duas assertivas do parágrafo anterior, às quais resolvemos chamar de “pérolas”, tem tudo para ser invalidada, principalmente para os amantes das armas de fogo, quando passamos a analisar a inequívoca situação política pela qual passa atualmente este país.

Para muitos estrangeiros, o Brasil e a Argentina se confundem, geográfica e sociologicamente, vindo a ser praticamente uma só nação, onde Buenos Aires seria a capital “séria” e o Rio de Janeiro a “capital do samba e do futebol”. Ah, íamos nos esquecendo do território conhecido como Amazônia, com milhões de cobras peçonhentas que, às vezes, fogem para as capitais e passeiam tranquilamente pelas ruas de qualquer metrópole, índios e vitórias-régias. O leitor tem dúvidas? Então precisaria assistir a um vídeo que era distribuído às embaixadas brasileiras e que tivemos oportunidade de ver no exterior, na década de 80. Nele observamos, enfaticamente, cenas de carnaval, samba, pujantes florestas e as tais vitórias-régias em destaque, filmadas de dentro de uma tosca piroga.

Contudo, não tenhamos tanta raiva assim da ignorância dos estrangeiros no que concerne à geografia, já que nós mesmos, na maior parte das vezes, quase nada sabemos dos países do Leste Europeu, sendo muito fácil confundir Praga com Budapeste e Bulgária com Romênia. Dúvida? Então responda bem rápido: qual é a nação mais setentrional entre Estônia, Letônia e Lituânia? Em outras palavras, o que incomoda verdadeiramente não é sermos confundidos com nossa irmã Argentina, mas lembrar que lá, apesar de todas as agruras pelas quais passa hoje em dia a citada vizinha, o povo pode adquirir armas em quaisquer calibres, livremente, e com índices de criminalidade infinitamente menores do que aqueles observados atualmente na Terra brasilis.

O silêncio a que nos referimos no título deste editorial começou a nos incomodar após notarmos, através de um boletim da APADDI e por meio de nossa própria observação, que na imprensa em geral praticamente não mais se ventila o assunto desarmamento e, quando o fazem, evitam agora trazer parentes próximos de vítimas de disparos de armas de fogo para dar depoimentos. A razão para tal procedimento nos parece bem lógica: essas pessoas convidadas já perceberam que não passam de simples joguete nas mãos dos antiarmas e que as armas que mataram seus entes queridos não estavam na mão de homens de bem, ou seja, não foram adquiridas por vias legais, não tinham documentos, etc., e, portanto, não são os cidadãos honestos a serem penalizados por atos cometidos por marginais.

A distorção continua. Recentemente, no caso von Richthofen, pouca ênfase se deu ao fato de que armas de fogo não foram utilizadas naquela tragédia familiar. Para tristeza dos antiarmas, os quais certamente adorariam que as mortes tivessem sido causadas por revólver, pistola, espingarda ou fuzil para poderem falar e falar e falar. E note o leitor que havia um revólver na casa, o qual não foi utilizado porque os pais assassinados nunca imaginariam que o perigo viria de dentro, sem toques de alarme ou quebra de vidraças em uma possível invasão de marginais.

A dúvida que ainda fica em nossas mentes é: os antiarmas realmente acreditam naquilo que pregam ou trata-se de massificação de uma ideia absorvida sem discussão nem bases lógicas? Lembrem-se das palavras de Goebbels, ministro alemão durante a Segunda Guerra Mundial: uma mentira, repetida inúmeras vezes, acaba sendo aceita como verdade. Pior ainda: haveria interesses escusos, inclusive externos, por trás de toda essa falácia, à qual inocentes são atraídos achando, com toda a pureza, que estão no caminho da erradicação do crime no Brasil?

Novos governantes e legisladores estarão, em breve, sendo empossados. É importante que eles, ao cogitarem o desarmamento dos honestos como solução para o problema da criminalidade, entendam estarem sendo vítimas de toda uma orquestração que visa deixar inocentes nas mãos de marginais. Ou será que eles creem que as polícias, infelizmente mal equipadas, mal preparadas e quase sempre sem o necessário contingente, poderão estar presentes a todas as ocorrências antes que elas aconteçam? Cremos que nem uma extraordinária força conjunta de duendes, comandada por Mandrake, Mágico de Oz, Merlin, Houdini e David Copperfield, conseguiria sucesso em tal tarefa.

As estatísticas atuais referentes à drástica redução da concessão de portes de armas em contraste com o incremento da criminalidade nos levam a um único e muito importante pensamento: o que esses governantes e legisladores farão quando e se todos os cidadãos forem privados de suas armas e o crime continuar aumentando? O simples reconhecimento de que estavam errados não ressuscitará nenhuma das futuras vítimas. Ou seja, se você desejar falar com aqueles que lhe eram caros e que se foram deste mundo através de mãos assassinas, talvez precise então procurar um CEGo, interessante sigla para Centro Espírita Governamental.

No fechamento desta edição chegou a nossas mãos um e-mail da campanha Pró Legítima Defesa informando que o senador Roberto Freire, do PPS, apresentou um projeto de emenda constitucional que propõe, entre outras coisas, a estatização da indústria e da distribuição de armas de fogo, bem como a proibição da posse e do porte delas por civis.

Note o leitor que, nos Estados Unidos, a Segunda Emenda à Constituição Federal garante a todo cidadão o direito de ter e portar armas. Para o Brasil, o citado senador propõe exatamente o contrário, ferindo uma das garantias individuais mais fundamentais: a legítima defesa. Se aprovado tal projeto, seria o fim das armas nas mãos do cidadão de bem, ou alguém acredita que os criminosos respeitariam tal medida?

Pavimentar-se-ia, assim, o caminho para que um aventureiro qualquer pudesse instaurar um regime autoritário. Essa é a marca que tal proposta deixaria registrada na história.

Índice

Índice da Edição
7
Resposta Armada — Mais Relatos VerídicosResposta Armada
Por Klaus Mauser
10
Calibração Interna dos EstojosDicas de Recarga
Por Eng. Creso M. Zanotta
14
Torneio de Técnicas e Táticas de ComandoTrabalho Policial
Por Márcio Santiago Higashi CoutoUma competição policial
20
Colt Single ActionTeste
Por Hélio Barreiros JúniorAfinal, como atira essa lenda?
28
Bushmaster XM15 E25Teste
Por Márcio Santiago Higashi CoutoO AR-15 desconhecido
36
Centro de Treinamento Tático — CTT-CBCEspecial
Por Hélio Barreiros JúniorInauguração de um novo enfoque em centros de treinamento
43
Carneiro MouflonSafari
Por Os Editores
44
1ª Prova Aberta de Tiro de Caça — SCI-BrasilCaça
Por José Joaquim D'Andrea MathiasPrimeiro evento esportivo de Caça maior no Brasil
50
Magnum ShowEventos
Por Lincoln J. TendlerUma Feira diferente no Brasil
56
Sniper, o Atirador de EliteEspecial
Por José Joaquim D'Andrea MathiasO atirador de precisão tem grande importância no trabalho policial

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